Agronegócio

Agronegócios 21/12/2015 07:37 AgroOlhar

Prejuízos com seca no plantio da soja podem ultrapassar R$ 1 bilhão em Mato Grosso

Os prejuízos provocados pela “crise“ climática em Mato Grosso podem ser superiores aos R$ 1 bilhão estimado. O valor, considerado “tímido“ pelo setor produtivo, refere-se apenas a redução de um milhão de toneladas na produção da oleaginosa no estado. Análises da situação das lavouras estão sendo iniciadas pelo grupo de trabalho formado pelo Governo de Mato Grosso e entidades produtivas.

A redução em um milhão da perspectiva de produção de soja em Mato Grosso, de 29 milhões de toneladas para 28 milhões, já causa um prejuízo para os produtores estimado em R$ 1 bilhão. Contudo, o montante tende a ser maior, uma vez que 3,1% da área precisou ser replantada. Além disso, há o atraso que a soja irá provocar na semeadura do milho segunda safra e os contratos futuros já fechados que poderão não ser cumpridos.

Mato Grosso já comercializou cerca de 60% da sua produção hoje estimada em 28 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O valor de R$ 1 bilhão estimado a princípio apenas com a redução da produção, conforme o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin, aponta ser um valor "tímido".

"Acho que esse valor é bem tímido. O que temos recebido de relatos do campo pode ultrapassar isso. O prejuízo é maior, estamos contabilizando só a soja. E o atraso do milho? Quanto isso vai custar na queda de produção? E os contratos que não serão cumpridos? E a área de 3% que teve de ser replantada? Então, esse prejuízo é direto da produção (R$ 1 bilhão). Isso é uma conta matemática só do que não será mais produzido (de 29 mi/t para 28 mi/t). Mas, e o que o produtor gastou a mais? E os prejuízos que ele teve e o que ele vai produzir menos em milho? Porque, aquela área que ele replantou era uma que ia receber milho", pontuou Dalcin em entrevista.

Entre os prejuízos que Mato Grosso pode ter economicamente com a situação vivida no campo com a soja estão às demissões daqueles que trabalham nas lavouras. Segundo o presidente da Aprosoja-MT, o produtor irá buscar enxugar seus custos e tirar o pé dos seus investimentos, ou seja, os investimentos que deveriam ser realizados não serão mais feitos. Além disso, há as consequências que podem ser geradas em setores como do comércio nos segmentos de insumos, combustível, peças para caminhões e máquinas agrícolas, transporte de cargas, pneus, entre outros.

"Podemos ter uma redução de plantio da safra 2016/2017 justamente porque o produtor vai entrar endividado e nós sabemos que o cenário 2016 econômico federal não é muito promissor. Tivemos na quarta-feira, 16 de dezembro, mais um rebaixamento de classificação de risco e isso é ruim, porque vamos passar um 2016 difícil. A próxima safra é uma grande incógnita para Mato Grosso", frisou.


Grupo de Trabalho

O Grupo de Trabalho criado pelo Governo de Mato Grosso para levantar as regiões com lavouras afetadas pela estiagem teve seus trabalhos iniciados nesta quinta-feira, 17 de dezembro. O rupo composto pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), Superintendência Federal de Agricultura (SFA-MT/Mapa), Aprosoja, Ampa, Famato, Imea eIMAmt.

A pedido do vice-governador de Mato Grosso, Carlos Fávaro, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) reuniram-se nesta quarta-feira, 16 de dezembro, juntamente com o setor produtivo para avaliar a situação de Mato Grosso diante a falta de chuvas.

“Já notícias de perdas e isso preocupa. O agronegócio representa 51% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso. O estado está passando pela crise econômica do Brasil sustentado pelo setor produtivo. Temos regiões com perdas leves e perdas acentuadas. Temos que acompanhar de perto essa questão e vamos criar um grupo de trabalho para identificar os municípios mais afetados e evitar que o PIB venha a ter maiores impactos”, destacou o secretário-adjunto de Agricultura da Sedec, Alexandre Possebon, durante coletiva de imprensa na quarta-feira.

De acordo com Endrigo Dalcin, o setor produtivo mato-grossense precisa se precaver e tomar medidas proativas, pois a safra 2015/2016 é uma safra de alerta para o produtor. O presidente da Aprosoja-MT afirma que os produtores estão apreensivos, pois o período do plantio está encerrando e há contratos para serem cumpridos.

"O produtor já comprou insumos e semente de milho para plantar a segunda safra, o produtor está sem a janela ideal do milho, fora o endividamento, investimento e custeio que vence em 2016. Nós pretendemos ver a necessidade de um ‘decreto de estado de emergência’ nos municípios. Nós precisamos estudar direito essa data limite, porque se o produtor até o dia 30, 31 não conseguir efetuar o plantio nós precisamos de uma prorrogação, porque nós não podemos deixar área sem plantar soja", salientou Dalcin ao Agro Olhar.

 


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