Alta Floresta (MT), 25 de setembro de 2017 - 04:17

Agronegócio

Agronegócios 27/06/2016 08:41 FMX

Greve gera prejuízo de R$ 756 milhões

A greve dos servidores do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) causa elevados prejuízos ao setor produtivo da carne. Em 21 dias de paralisação completados hoje (27) deixaram de circular na economia estadual R$ 756 milhões só com o abate nas plantas frigoríficas. A greve dos mais de 800 servidores do órgão, começou em 6 de junho, e desde então as plantas pararam de movimentar, em média, R$ 36 milhões por dia. 

Os dados constam em levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).O estudo intitulado “Impacto da greve do Indea no abate de bovinos no Estado de Mato Grosso”, revela que diariamente são abatidas 17,1 mil cabeças de bovinos entre bois (8,8 mil) e vacas (8,3 mil), sendo produzidas 280,6 mil arrobas, o equivalente a 4,21 mil toneladas de carne por dia, que geram o faturamento estimado em R$ 36 milhões.

O fato de a greve ter sido deflagrada no mês de junho implicou em um prejuízo ainda maior para a receita gerada pela pecuária no Estado, já que este é o mês típico de feiras agropecuárias em Mato Grosso. Com o movimento grevista, o Imea estima que foram perdidos o equivalente a R$ 1,5 milhão com a venda de bovinos vivos em leilões. Esta foi a média de movimentação nos últimos 5 anos em Mato Grosso, sendo que considerando o ciclo produtivo dos animais, junho também é o melhor mês para o abate. 

“A preparação para o período seco do ano que se inicia em maio segue durante o mês de junho e o bovinocultor de corte do Estado, no intuito de diminuir a lotação das pastagens tende a enviar uma quantidade considerável de animais para o abate no mês de junho”, explicam os técnicos do Imea.

“O maior negócio de Mato Grosso é a pecuária, não em volume de dinheiro, mas em volume de pessoas envolvidas neste setor. Esta é a aptidão do Estado de Mato Grosso. E uma greve como essa afeta muita gente, por conta do longo período, que atinge tanto os criadores quanto os consumidores, já que há riscos para o abastecimento de alimentos, com aumento de preços, pois com menos produtos ofertados, maior é o preço. Esta é a antiga lei de mercado”, pondera Rui Prado, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

Ele avalia que o desdobramento da não movimentação de R$ 36 milhões por dia só com bovinos é enorme. “É o dinheiro que deixa de circular porque o produto fica estocado. O produto ainda vai ser vendido lá na frente, porque não se perde toda a produção, mas é evidente que o prejuízo é grande para todos”. 

O presidente analisa que outro problema é a paralisação da atividade dos produtores, que deixam de comprar insumos porque o dinheiro não está disponível, o que significa ter que comprar a prazo, gerando juros. “Ou seja, causa um represamento, que por sua vez, é sinônimo de prejuízo contábil. Esta greve precisa ser resolvida urgente. Caso contrário, todos os mato-grossenses vão ter prejuízos”. 

Quem também lamenta as perdas decorrentes da greve é o presidente do Indea, Guilherme Nolasco. “São evidentes os prejuízos para a economia do Estado. Sabe-se das dificuldades das plantas frigoríficas em cumprir os compromissos. Apesar da paralisação, cuja solução não compete a mim, ainda podemos contabilizar como algo positivo, a manutenção do status sanitário sem danos em Mato Grosso”, pontua. 

Nolasco explica que decisões judiciais liminares foram cumpridas por parte dos servidores do Indea, assim como, a manutenção de barreiras sanitárias que permitiram atender a demanda mínima do Estado. O grande problema, no entanto, que rendeu os prejuízos para a cadeia de bovinos derivou da não emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), sem a qual não se pode transportar os animais das fazendas até os frigoríficos.

Apesar de os criadores de bovinos terem a possibilidade de emitir a GTA online, somente a minoria, uma média de 8 mil criadores no Estado, está habilitada para realizar esse tipo de comando. A maioria, ou mais de 100 mil criadores, precisa exclusivamente da emissão da guia pelo Indea.

De acordo com o diretor do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo/MT), Jovenino Borges, os frigoríficos estão operando com a média de 60% da capacidade de produção, sendo que algumas unidades chegaram a ficar 2 dias sem abates, por falta de animais.

O setor frigorífico em Mato Grosso conta com 23 plantas em funcionamento, que geram 17 mil postos de trabalho diretos e 51 mil indiretos. Para a manutenção desta cadeia, conta-se com um custo fixo elevado, que conforme Borges são pressionados pela energia elétrica, encargos trabalhistas e recolhimento de impostos, que permaneceram apesar da escassez, temporária e conduzida, da matéria-prima.

“Com a redução da capacidade de abate perde-se a otimização da produção, pois a estrutura pesada e ampla de uma planta frigorífica é justificada pela potencialidade que possui para abastecer o mercado interno e de exportação. Não cumprir os contratos significa prejuízos elevados para o setor”, pondera Borges.

“O impasse gerado pelo não pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) vai precisar de um acordo. Porque os 2 lados têm razão: os servidores têm seus direitos, e o governo também não pode ignorar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Sendo assim, só um acordo para acabar com este conflito, caso contrário, todos vamos ter prejuízos”, pontua Borges.  

OUTRO LADO - Em nota divulgada na sexta-feira (24), o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal de Mato Grosso (Sintap), informou que até a data não havia sido notificado de ilegalidade da greve, conforme foi exarado por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em 16 de junho. Os servidores explicam que estão paralisados pelo pagamento da Revisão Geral Anual (RGA), que não ocorreu em maio, como previsto na legislação estadual, em razão, das condições alegadas pelo governo do Estado, que diz não ter condições de efetivar a revisão. 

O impasse se arrasta desde 31 de maio quando grande parte dos servidores do Estado deflagrou greve geral. Contudo, somente no dia 6 de junho, os servidores do Indea resolveram aderir ao movimento paredista. Em nota, o Sintap diz que continuará paralisado por tempo indeterminado, mas que continuará cumprindo a cota de 30% de servidores trabalhando nas unidades da entidade para garantir a sanidade das produções agrícola e pecuária do Estado.


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