Alta Floresta (MT), 17 de outubro de 2017 - 12:50

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12/08/2017 07:58 Repórter MT

Ministro pode não 'sobreviver' à delação de Silval Barbosa no STF

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, que conseguiu passar praticamente ileso após as delações do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, e do ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva, pode estar com os dias contados no staff do Governo Federal.

Ocorre que, com a homologação da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), classificada como ‘monstruosa’ pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), Maggi já não estaria mais conseguindo manter o escândalo "abafado".

Ele é apontado como a ‘cabeça pensante’ de Silval Barbosa, que foi seu vice quando comandou Mato Grosso. Além disso, foi o maior cabo eleitoral para elegê-lo como sucessor.

Na delação, Silval aponta que diversas ‘maracutaias’ tiveram início na gestão de Maggi. O peemedebista "entregou" que o ministro pagou R$ 3 milhões pelo silêncio do ex-secretário de Fazenda, Éder Moraes, que havia delatado a compra da vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para Sérgio Ricardo. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (11) pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Segundo Silval, Éder teria cobrado R$ 12 milhões para mudar o depoimento no Ministério Público Federal (MPF). Porém, Maggi e Silval concordaram em pagar R$ 6 milhões, ao total, dividindo a quantia. O ministro teria repassado os valores através de um assessor e o ex-governador, pagou uma dívida do ex-secretário e o restante foi quitado em dinheiro.

Compra de vaga no TCE

Maggi foi citado no esquema que culminou no afastamento do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo, acusado de comprar a vaga de Alencar Soares. No início desse ano, a Justiça mandou bloquear R$ 4 milhões de Maggi.

Acusado de improbidade administrativa e dano ao erário, Maggi teria participado das negociações com o então conselheiro Alencar Soares para que ele se aposentasse e abrisse espaço para que Sérgio Ricardo pudesse assumir o cargo que é vitalício, em maio de 2012, de acordo com o Ministério Público Estadual (MPE-MT). Alencar Soares também é réu no processo, sob acusação de ter recebido R$ 4 milhões para se aposentar antes do prazo.

Na mesma decisão que determinou o bloqueio de R$ 4 milhões de Maggi, o juízo afirmou que quando foi governador, ele teria ordenado o então secretário de Estado, Eder Moraes, a fazer um acerto imoral, "através de repasses extraídos da 'conta corrente', ou seja, de conta alimentada e mantida com recursos públicos desviados, oriundos de esquema montado e alimentado com dinheiro público", alvo da Operação Ararath, deflagrada em 2013 pela Polícia Federal.

O pagamento da vaga teria sido feito por meio de uma factoring do empresário Júnior Mendonça, tido como operador de um esquema de lavagem de dinheiro desviado dos cofres estaduais. Mendonça firmou acordo de delação premiada com a Justiça e, em um dos depoimentos prestados durante as investigações, disse que a negociação da vaga entre Maggi e Soares teria ocorrido durante uma viagem dos dois à África do Sul, em 2009.

A nomeação de Sérgio Ricardo no cargo foi investigada no âmbito da Operação Ararath, na qual a Polícia Federal investigou um suposto esquema de lavagem de dinheiro oriundo de crimes financeiros e corrupção, que teria movimentado cerca de R$ 500 milhões nas contas de factorings e empresas de fachada de integrantes da quadrilha. O dinheiro ilícito teria sido usado para financiar campanhas eleitorais e comprar a vaga no TCE.

Após o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão, segundo  a decisão, foi identificado o envolvimento do ex-secretário Eder Moraes, de várias empreiteiras e empresas prestadoras de serviço ao Estado de Mato Grosso, tanto durante o Governo de Blairo Maggi quanto no de Silval Barbosa, como consta a decisão

Conforme o Ministério Público Estadual, Blairo Maggi estimulou e permitiu a utilização de factoring como forma de levantar recursos para fazer frente às despesas públicas, o que, segundo o órgão, teve continuidade no Governo de Silval Barbosa (PMDB), que era vice de Blairo e assumiu o cargo em 2010 após a renúncia de Maggi para concorrer a uma vaga no Senado.

VLT

Outro escândalo é a contratação do Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande para comandar a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos. À época, Maggi  orientou o então governador Silval Barbosa, que confessou ter recebido propina de 3% sobre o total de R$ 600 milhões, a assumir publicamente que as obras não ficariam prontas até junho de 2014.

Apesar disso, o senador avalizou que Silval Barbosa tinha tudo para terminar bem o mandato e que poderia sair candidato ao Senado e afiançou: “Quem apostar que o Silval vai se dar mal, vai errar feio”.

Delação da Odebrecht

Ele ainda foi citado nas declarações de ex-executivos da Odebrecht e delatores da Operação Lava Jato, que o colocam como um dos supostos beneficiários de propinas pagas pela empreiteira.

Em acordos de delação premiada firmados com o Ministério Público Federal (MPF), Antônio Pacífico Ferreira, diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, diretor de contratos da construtora, apontam pagamento de R$ 12 milhões para Blairo, valor que teria sido utilizado para custear a campanha do então governador de Mato Grosso à reeleição, no ano de 2006.

De acordo com os executivos da empreiteira, os R$ 12 milhões pagos a Blairo corresponderiam a 35% de uma dívida que o Executivo teria com a Odebrecht.


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