Alta Floresta (MT), 18 de agosto de 2018 - 23:44

Polícia

09/05/2018 07:28 Folhamax

Jovem confessa ofensas raciais a fotógrafa em Cuiabá

Rafael Andrejanini, 31, confessou a autoria dos áudios com xingamentos de cunho racista contra a fotógrafa Mirian Rodrigues Rosa, 32, durante depoimento na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso). Ele será indiciado por injúria racial e racismo, mas não ficará preso como defende o Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune) que divulgou uma carta de apoio à vítima e repudiando o ataque praticado por Rafael através de redes sociais.

Segundo o delegado adjunto, Cláudio Álvares Santana, o criminoso alegou que a vítima tinha feito críticas e xingamentos contra ele e uma amiga, de quem usou o celular para mandar os áudios. “Ele disse que estava de saco cheio, tomou as dores da amiga e pegou o telefone dela para rebater. Entre as críticas feitas pela vítima seria em relação a ele ser ‘bombado’. No entanto, ele não apresentou nada sobre a referida mensagem ou áudio”, afirmou o delegado ao Gazeta Digital.

Por conta dos ataques direcionados a Mirian, como em um trecho em que Rafael a xingou de “crioula maldita”, será indiciado por injúria racial, crime que prevê prisão de 1 a 3 anos. Também será indiciado pelo crime de racismo, por ter atingido a coletividade das pessoas negras ao citar, por exemplo, que “pode dar tiro em crioulo”. O crime de racismo prevê de 2 até 5 anos de prisão, sem prescrição de pena ou fiança.

Ainda durante o depoimento nesta segunda-feira (7), Rafael que é conhecido como “Zé Trator” disse ao delegado que não era racista, pois se via como negro e, inclusive, viria de família negra também. “Ele afirma que é negro, não é racista porque a família dele é negra e ele também já teve uma namorada negra”, relata Santana.

Porém, nas gravações utilizou de tons ofensivos com viés preconceituoso para atacar a fotógrafa. “Em que mundo você vive e desde quando preto é gente? Não vou perguntar quem é você na fila do pão não. Vou perguntar para você quem é você na fila do açougue? Eu vou responder para você: pobre não come carne. Então, nem na fila do açougue você entra, crioula maldita”, diz trecho de áudio gravado por Rafael.

“É estarrecedor de que em pleno século 21 ainda haja pessoas que pensam ser melhores do que os outros. É revoltante ter gente que pode discriminar a outra pela cor da pele. Não podemos admitir isso”, pontuou o delegado ao lamentar que ele não será punido com a prisão pelo crime. “Nesses casos o ideal é que a vítima denuncie o caso na mesma hora da agressão ou do ataque para que o acusado seja preso em flagrante”, alerta o delegado.

Além de Mirian e Rafael, o delegado ainda pretende ouvir a dona do celular que foi utilizado para mandar as mensagens. O depoimento dela está marcado para esta quarta-feira (9).

O caso

O caso veio a tona quando Mirian Rosa resolveu publicar em sua página no Facebook um vídeo incluindo vários áudios feitos por Rafael Andrejanini, enviados em um grupo do aplicativo WhatsApp, com cerca de 200 participantes, no último dia 2 de maio. Na gravação, Rafael usa de vários insultos e xingamentos como “crioula maldita”, comparações a “carvão” e “saco de lixo” e até “mucama”.

Atualmente, a fotógrafa que já afirmou estar sem comer e sem dormir por medo de que Rafael possa tentar algo contra ela. Inclusive, a mesma já conseguiu uma medida protetiva que determina que o acusado mantenha ao menos 500 metros de distância. Além disso, é proibido contato por qualquer contato com a vítima e seus familiares, seja por meio telefônico, e-mail, mensagens de texto ou qualquer outro meio direto ou indireto.


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