Alta Floresta (MT), 27 de maio de 2018 - 13:47

Política

14/05/2018 09:27 Midia News

Secretário diz que rodovia envergonha e pede nova licitação da 163

O secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo Duarte, defendeu a rescisão do contrato de concessão da BR-163 com a Rota do Oeste, braço da Odebrecht, empresa implicada nas investigações da Operação Lava Jato.

Segundo o secretário, o projeto de duplicação da rodovia não teve andamento. Menos da metade da extensão prevista no contrato foi duplicada e, mesmo assim, foram instaladas 9 praças de pedágio, em intervalos médios de 100 quilômetros. 

Duarte afirmou que a rodovia tem um dos maiores índices de acidentes do Estado. Ele classificou o local como “corredor da morte” e disse que a situação é vergonhosa.

“É o corredor da morte. É só ver os índices. Infelizmente, é uma rodovia que nos dá vergonha. Independentemente de importância política, econômica, regional, o número de acidentes com vítimas fatais é algo que não dá. O Brasil é um dos países que mais mata no trânsito, e essas rodovias contribuem para esses índices. Não tem nada parecido com isso aqui”, disse, em entrevista ao MidiaNews.

Para o secretário, o processo de concessão começou de maneira equivocada na gestão do Partido dos Trabalhadores (PT). 

“O Governo Federal, em um ato populista e pouco técnico, fez um edital baseado em melhor tarifa, não por outorga. E baseou-se em juros subsidiados. Esses juros não vieram, porque o País entrou em crise e as tarifas baixas tornaram inviável a concessão. Além disso, teve a Lava Jato”, afirmou. 

“Talvez, a empresa mergulhou tanto no preço da tarifa, porque acredita que, por vias tortas, iria conseguir artificialmente aumentá-las, o que não aconteceu. Foram erros de gestão e problemas criminais que nos colocaram nessa situação”, disse. 

Duarte criticou a forma como o Governo Federal tem lidado com as concessões rodoviárias. 

Uma Medida Provisória que estabelecia diretrizes para reprogramação de investimentos, aumentando o prazo concedido, chegou a ser baixada, mas perdeu a validade.

“Eu defendo que seja relicitada essa obra. O DNIT precisa assumir isso. Alguns dizem que se romper fica pior, mas estamos protegendo quem? Está faltando atitude da ANTT, do Governo Federal, para ir para cima”, afirmou.

“Uma medida provisória poderia alongar prazos, mas isso não interessa para Mato Grosso. Não interessa esperar mais 10 a 15 anos para duplicar Cuiabá a Sinop. E pagando pedágio. E todo dia você vê mortes nessa rodovia. Todo dia. Esperar mais 10 anos, irão tirar mais quantas vidas?”, questionou. 

Ministério do PR 

Segundo Marcelo Duarte, um conjunto de secretários de Infraestrutura do País chegou a pedir a troca da presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Um nome foi indicado, mas, de acordo com ele, foi vetado pelo presidente Michel Temer (MDB). 

Duarte diz que tanto a ANTT quando o Ministério dos Transportes pertencem à quota de indicação do Partido da República (PR), que tem o senador Wellington Fagundes como líder em Mato Grosso. 

“É uma questão partidária, o PR acabou indicando uma pessoa. Infelizmente, esse fatiamento partidário dos grandes ministérios e autarquias acaba prejudicando. Infelizmente, o PR comanda o Ministério dos Transportes, comanda a ANTT, e o resultado que vemos é essa dificuldade de tomar medidas efetivas e duradouras”, completou.


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